Blog do curso de Tecnologia em Logística da Faculdade INESUL

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Jan 13

Nos últimos meses, antes de sair o pacote dos portos - formada pela Medida Provisória 595 e uma série de atos paralelos - dizia-se que a presidente Dilma estava convencida da necessidade de intervir na praticagem - atividade de profissionais que conduzem os navios na entrada e saída dos portos.

Segundo uma alta fonte do setor, as afirmações e comentários eram de leigos. Foi mostrado ao governo que o custo da praticagem está em conformidade com o que é cobrado no exterior. Além disso, os contratos de seguros exigem a presença dos práticos e até a Marinha do Brasil os utiliza em certos portos, como ocorre em Santos (SP). A tese é a de o melhor é prevenir. Para a Marinha, não há custo, pois isso é determinado por lei.

De acordo com a fonte, após o entusiasmo inicial, a cúpula do governo foi convencida de que país algum do mundo conseguiu um sistema perfeito para a praticagem: transformá-los em servidores públicos não deu certo, pois muitos navios chegam de madrugada; intervir para impor valores mais baixos gerou desestímulo e falta do serviço; militarizar a atividade também não deu certo.

Hoje, os práticos cobram uma tabela de acordo com o porte do navio e o serviço funciona - embora, recentemente, tenham surgido críticas ao ganho mensal desses profissionais, que chegaria a R$ 300 mil mensais em certos portos.

De efetivo, criou-se uma comissão para estudar o assunto, o que, no Brasil, pode significar que nada vá ocorrer. Decidiu-se elevar o número desses profissionais, como forma de garantia de atendimento e possível redução nos valores cobrados.

Em resumo, o governo optou por atitudes módicas e descartou a possibilidade de intervenção no sistema, o que era sugerido por algumas entidades empresariais. Para analistas, o governo admite que o valor cobrado é alto, mas pode ser absorvido pela operação comercial, com cobrança de frete e gastos em terminais e que, bem ou mal, o serviço funciona, apesar das queixas dos armadores contra os valores cobrados.

A Marinha nega protegê-los. Uma fonte lembra que, na maioria dos países, só podem atuar como "port captains" ex-integrantes das marinhas de Guerra e mercante e, no Brasil, qualquer profissional com curso superior, até mesmo oriundo da área de ciências humanas, pode se habilitar aos concursos aplicados pela Marinha do Brasil.

CNT e trem-bala

Em tese, o trem-bala seria um bom investimento. Afinal, é algo moderno, que França, Alemanha, China, Japão e outros países adotam. No entanto, no Brasil, a rede ferroviária é inferior à existente em 1940 e praticamente só é usada para transporte de minério de ferro.

O governo libera parcos valores para educação, saúde e instalação de presídios e sequer consegue aplicar metade do que consta do orçamento, com a alegação de que não há recursos. Metade das famílias não tem água e esgoto e o déficit habitacional pode ser medido pela proliferação de comunidades.

Nesse ambiente, o trem de alta velocidade não é prioridade, notadamente porque, orçado em R$ 35 bilhões, pode sair pelo dobro. Embora da base aliada, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), senador Clésio Andrade (PMDB-MG), se posicionou contra essa aventura. Afirma que o país não tem condições de arcar com os custos da obra e entende que não seja uma obra prioritária, já que o trecho é bem atendido e tem boas alternativas.

- O projeto é inviável, o que faz com que a CNT e o transportador brasileiro estejam indignados. Nesse momento, em que o governo precisa investir forte em rodovias, portos, aeroportos e na multimodalidade, não é a hora do trem-bala - disse.

Clésio classificou o projeto de pífio e pediu ao governo que reconsidere a decisão de seguir em frente. Acrescente-se que Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), criada para tocar o projeto, foi repudiado pelo Senado para novo mandato na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e, se não serve para a ANTT, não deverá servir para o trem-bala.

publicado por INESUL às 20:17

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